Taquari, 19 de Junho de 2018
NOTÍCIAS
06/04/2018
Vocação divina

Ao completar 19 anos, o taquariense João Vítor Freitas Júnior dos Santos, hoje com 25, decidiu entrar no seminário Maior, da diocese de Montenegro, para se tornar padre. Ele é filho de Cássia Freitas dos Santos e João Alexandre dos Santos e irmão de Laura Freitas dos Santos. 
Em entrevista a O Fato Novo, o jovem fala sobre como se interessou pela vocação, a rotina no seminário e sobre o trabalho na paróquia. Confira.
 
O Fato Novo - O que o motivou a querer se tornar padre?
João Vítor Freitas dos Santos - Não foi um desejo desde criança. Nunca pensei nesta possibilidade até meus 16 anos. Tudo começou quando, com 14 anos, comecei a participar de um grupo de jovens chamado CLJ (Curso de Liderança Juvenil) na paróquia São José de Taquari. Em novembro de 2007, participei de um retiro de três dias na cidade de Salvador do Sul. Este retiro despertou meu coração para a fé, a participação na Igreja e especialmente a relação com Cristo. Éramos doze jovens de Taquari neste retiro, entre eles está outro seminarista da cidade, Érick Lopes Vicari e a Agnes Zluhan, que hoje é missionária católica em Natal, Rio Grande do Norte. O que nos motivou a entregar a vida por Cristo na Igreja? Por mim posso dizer que foi a experiência profunda com o amor de Deus. Sinto-me amado por Deus e este amor me impele a dizer a todos, com palavras e gestos, que Deus ama a cada um de modo muito especial. Dentro do contexto da comunidade paroquial e da Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização, na convivência e partilhas com os padres, começou a gerar em mim a vontade de seguir este caminho.
 
OFN - Qual seu objetivo como padre? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas?
JVFS - Meu objetivo é servir a Deus e ao Seu povo. O próprio nome diz: padre = pai, ou seja, ser pai espiritual daqueles de quem Deus me confiar o cuidado. Ser padre é isso: ajudar o Bom Pastor no cuidado do rebanho. Por isso, o padre deve estar junto das pessoas, de suas dores e alegrias, dificuldades e vitórias, erros e acertos, e animá-las no caminho da fé e da santidade. 
 
OFN - Como é a rotina no seminário? 
JVFS - O seminário Maior da diocese de Montenegro, onde residem os estudantes de Filosofia e Teologia, é em Viamão-RS. Não temos estas aulas dentro do seminário, estudamos na PUC (Pontifícia Universidade Católica). O seminário possui uma rotina de estudo, oração, trabalho e convívio fraterno. Acordamos cedo para a oração, temos o deslocamento e aula na parte da manhã. A tarde é destinada para limpeza da casa, cuidado com o pátio e a horta, estudo, formação musical, educação física, nutricionista, acompanhamento psicológico e direção espiritual. No fim da tarde a Santa Missa, convívio e alguma reunião. Basicamente é este nosso dia a dia. Nos finais de semana cada seminarista vai para uma paróquia da diocese ajudar nos trabalhos pastorais. 
 
OFN - Você já atua em uma paróquia? Como isso aconteceu?
JVFS - Este ano estou realizando o que chamamos na Igreja de “Ano Pastoral”, que se trata de um ano em que não resido no seminário, mas sim diretamente em uma paróquia para adquirir vivências pastorais em vista do ministério ordenado (ser padre). No meu caso, estou realizando este “estágio” (para entender melhor) na Paróquia São José de Roca Sales. Aqui participo de todas as atividades pastorais e adquiro experiências junto aos padres que exercem seu ministério. Ano que vem, 2019, concluo a Teologia no seminário e me coloco à disposição da Igreja para o serviço.  
 
OFN - Quais suas expectativas para o futuro?
JVFS - O futuro a Deus pertence. Minha expectativa é entregar a vida a Deus e a Igreja. Daí para frente é estar aberto ao que Deus quer. O padre é chamado a servir onde é enviado.  Projetos pessoais podem decepcionar, mas os de Deus não. 
 
OFN - Ao escolher se tornar Padre é necessário abdicar de várias coisas. Como você lida com isso?
JVFS - Vivemos em uma época onde a sociedade, em geral, quer somente “curtir a vida”, “aproveitar”, como se a finalidade da existência fosse gozar ao máximo os prazeres e assim fingir que somos imortais, infinitos. Jesus, ao contrário, nos convida a gastar a vida, investi-la no serviço do  (a) outro (a) e assim empreendê-la em uma causa que dê sentido a ela: “Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer”. Quando encontramos algo que dá sentido à vida (por aquilo que podemos entregar a vida), não ficamos focados nas renúncias, nos “nãos” (no caso do sacerdócio: não casar, não ter filhos, etc.), mas sim no grande SIM. Sim a Deus, sim ao outros, sim à felicidade! Sou muito feliz na opção de vida que fiz. Apesar da escolha incomum para um jovem da minha idade em querer ser padre e celibatário, me sinto normal: tenho amigos (as), dou boas gargalhadas, gosto de tomar chopp e chimarrão na lagoa, faço academia, cultivo laços familiares, etc. Um seminarista ou um padre nunca estão sozinhos, pois estão com Deus e seu Povo. A mim basta.
 
 

 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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