Taquari, 20 de Maio de 2018
NOTÍCIAS
04/05/2018
Os citros estão caindo

A grande quantidade de laranjas e bergamotas que tem caído dos pomares na safra de 2018 está chamando a atenção dos produtores de citros do município. O gráfico João de Souza Rolim, 65 anos, procurou O Fato Novo para falar da situação. Em sua propriedade, no Passo da Aldeia, a maior parte das frutas estão no chão, antes mesmo de amadurecer.
 
“Eu sou apaixonado por citros e a gente não sabe o que está acontecendo. Eu fico apavorado. Todos os anos cai um pouco, mas esse ano está um exagero. São diversas variedades que eu tenho aqui, laranja de doce, do céu, bergamota, até limão, todos estão caindo. Será que estamos caminhando para a extinção das laranjeiras do município?”, teme o morador de Taquari.
Em outra propriedade, no Caramujo, o bonito pomar tem mais frutos no chão do que nas árvores. O auxiliar de serviços gerais que trabalha no local, Laerte Mariom Rodrigues, 35 anos anos, diz que tem recolhido os frutos e enterrado. “Faz dois dias que limpei e já está cheio de novo. Cai todo dia”, conta.
Segundo o extensionista da Emater/ASCAR, Alberto Bischoff, a queda dos citros no município está acontecendo por três motivos: a mosca da fruta, o cancro cítrico e a carga excessiva de frutos nas plantas. Em relação à produção, segundo Alberto, neste ano, as laranjeiras e bergamoteiras estão carregadas de frutos e boa parte das quedas é decorrência do excesso de carga nas plantas. “Quando tem muitas frutas, a própria planta começa a largar algumas. Então não é só doença, e essa questão da produção não tem o que fazer”, explica.
 
O cancro cítrico
 
A doença é causada por bactéria e se espalha, principalmente, pelo vento e chuva. O cancro atinge folhas, ramos e frutos, através de tecidos jovens ou machucaduras. “Ele infecta a fruta quando ainda pequena, quando os frutos são jovens ou quando a folha é nova, ou por machucaduras, e causa problemas depois. A ferida dá na pele da laranja e, quando atingir um dos gomos, a fruta cai”, explica o extensionista da Emater.
No fruto, o cancro pode ser identificado visivelmente. É como uma ferida, uma elevação na casca. Na folha, também é como uma casquinha, sendo que a principal característica é que a mancha deve estar disposta igualmente nas duas faces da folha. “As pessoas que tiverem mais dificuldades de identificar podem vir aqui que a gente auxilia”, disse Alberto Bischoff. O escritório da Emater/ASCAR em Taquari é situado no subsolo do prédio da Prefeitura de Municipal.
De acordo com o extensionista, a legislação determina o corte das laranjeiras afetadas pelo cancro cítrico, como foi feito em Taquari com as laranjeiras da Rodovia Aleixo Rocha da Silva. No entanto, na prática, isto não está sendo feito há anos. “O que se faz no Rio Grande do Sul é tentar controlar um pouco essa bactéria, principalmente com fungicidas à base de cobre, para tentar diminuir a infecção do cancro, mas, legalmente, não existe produto registrado, porque a legislação manda erradicar a planta”, explica.
 
 
A mosca da fruta
 
Esta praga atinge os pomares anualmente, no entanto, o clima mais quente no outono e inverno dos últimos anos pode ter sido um dos fatores que favoreceu a proliferação da mosca da fruta. Segundo o extensionista da Emater, a geada e o frio ajudam a combater a mosca da fruta.
O inseto atinge os frutos desde o momento em que começam a deixar o tom verde escuro e amadurecer, até serem colhidos. O período é de cerca de dois meses, dependendo da variedade dos citros. A mosca coloca seus ovos na casca do fruto, onde se cria uma larva que entra para dentro do fruto. No momento em que a larva atinge um dos gomos, faz com que a fruta caia.
Segundo Alberto Bischoff, há cinco maneiras de combater a mosca das frutas.
 
Agrotóxicos
 
A aplicação de agrotóxico é uma das maneiras de combater a praga. No entanto, ela deve ser feita ao menos uma vez por semana, no lado da planta que pegue o sol da manhã. “Teria que se colocar algum inseticida junto com algum doce cheiroso, um açúcar mascavo, um melado, e pulverizar numa mancha da árvore, em um lado em que pegue o sol. Pulverizar uma mancha de mais ou menos um metro quadrado. O grande problema disso é que se está trabalhando com agrotóxico e são necessárias muitas aplicações”, alerta Alberto.
 
Armadilhas

VÍDEO

No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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