Taquari, 23 de Fevereiro de 2018
NOTÍCIAS
19/01/2018
Um país dividido

Hoje somos um país dividido à espera do julgamento do dia 24, onde o sul quer a condenação e o norte, a absolvição do Lula. É uma simplificação, claro, mas qualquer pesquisa de opinião constata que os estados do sul são os mais antipetistas e os do norte e nordeste, os mais lulistas.
Lulista é o termo que distingue o apreço pelo ex-presidente do apreço pelo partido, que hoje é baixo no país, haja vista a rejeição a Dilma e o fracasso nas eleições municipais de 2016.
Falar desse assunto é desagradar os dois lados, pois no raciocínio petista não existe a possibilidade de admissão de ilícitos e na lógica antipetista não existe qualquer consideração válida que não seja pela prisão de Lula.
Mesmo sendo alvo dos dois lados, há assuntos que não se pode evitar – afinal, o que tem fundamento e o que não tem fundamento, no julgamento do dia 24? É um julgamento político, jurídico ou ambas as coisas?
Obviamente que é um ponto culminante tanto da política, quanto do Estado de Direito no país. Então, não temos como fugir a examinar a questão do ponto de vista do funcionamento das instituições e do estado democrático.
Direito e política partidária não podem se misturar e para tanto o juiz Sérgio Moro deveria ter se preservado, enquanto magistrado, de aparecer em poses festivas ao lado de outros políticos visados – como em suas famosas fotos sorridentes, denotando amizade com o Aécio Neves, por exemplo.
Moro deve ser avaliado por sua posição “técnica”, como magistrado, se julgou de acordo com as provas, mas num julgamento com tal conotação política ele deveria ter se comportado como na metáfora da “mulher de César”, a qual “não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.
Do ponto de vista jurídico, é possível condenar alguém por tráfico de influência, sim, por aceitar favores de empreiteiros – e muitas vezes as provas são, na verdade, um somatório de indícios, mesmo que os petistas não admitam a hipótese.
O que gera polêmica é se haverá “dois pesos e duas medidas”, como houve no julgamento do TSE contra Dilma e Temer por fraude eleitoral, quando Gilmar Mendes era claramente a favor da cassação da chapa quando Dilma estava no poder – mas depois disso passou a ser pela absolvição, para não remover Temer. Dilma, aliás, foi cassada por “pedaladas”, enquanto Temer segue governando após seu cúmplice Rocha Loures ser pego com mala de 500 mil reais, fruto de propina.
O desafio da Justiça Federal, agora, é análogo ao da mulher de César: não só ser justa, como parecer justa. Num país dividido, isso é quase uma missão impossível.
 
Montserrat Martins
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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