Taquari, 19 de Setembro de 2018
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12/01/2018
FAZENDA VILANOVA: “Foi um ano complicado, mas um desafio extremamente interessante”

Em entrevista a O Fato Novo concedida nesta semana, o prefeito José Luiz Cenci (PP) falou sobre as dificuldades enfrentadas no primeiro ano de seu quarto mandato como prefeito de Fazenda Vilanova. 
O prefeito anunciou reformas administrativas para este ano e a instalação de três empresas no município. Cenci entrará em férias na próxima segunda-feira, por 15 dias, e passará a responsabilidade para o vice-prefeito Roque Vargas (PT). 
 
ENTREVISTA
 
O Fato Novo - Qual era a situação do município quando você assumiu a prefeitura em janeiro de 2017?
Cenci - O que interessa é o futuro, mas havia muitos problemas de gestão, de pessoal, gasto com folha muito alto. Tivemos problemas para organizar. Foi um ano muito complicado, não somente para Fazenda Vilanova. Em 2016, os municípios tiveram duas receitas extraordinárias que salvaram, que foi o recurso da repatriação e da venda da folha. Entrou em torno de R$ 1 milhão. Isto deu um alívio e não foi diferente aqui. Só que este recurso não entrou em 2017, nem vai entrar mais. Tivemos que pagar a folha de férias de 2016 em 2017. Foi um ano complicado, mas um desafio extremamente interessante para mim que nunca tive este tipo de problema na administração. 
 
OFN - O que você destaca de realização em 2017?
Cenci - Não tivemos nenhuma obra espetacular, mas para mim é importante não deixar faltar recurso na Saúde e na Educação. Na Saúde temos pouquíssimas reclamações e não tem como contentar todo mundo. Tomamos algumas atitudes que precisavam de coragem para tomar. Na saúde, tenho que gastar no mínimo 15% (da receita de alguns impostos) e gastei 22%. Na Educação, são 25%, e gastei 30%. Poderia ter me limitado e ter atendido da forma que dava. Esta diferença tu tiras de outras áreas ou otimizando o trabalho. 
 
OFN - O que foi feito na saúde?
Cenci - Nós tínhamos mais de 100 pessoas que eram atendidas no município, por ser mais prático e mais rápido, mas que moravam em outros municípios e nós cortamos isso. São pessoas que votam em Fazenda Vilanova, que têm um vínculo com o município. Politicamente é muito difícil a gente tomar este tipo de atitude. É muito mais fácil deixar as coisas como estavam, mas tivemos que fazer pra poder realmente atender a nossa população. Ainda, na área da odontologia, eram de 90 a 100 consultas mensais. Colocamos como meta 300 consultas mensais e vamos conseguir, apenas organizando de forma que poderão ser atendidas mais pessoas. Um dos problemas era a marcação que ocorria no início do mês e as pessoas esqueciam. Então se otimizou isto.  
 
OFN - E na área da Educação?
Cenci - Nós praticamente dobramos o número de atendimento nas creches, mesmo sem ter espaço físico. No início do ano, colocamos os alunos das séries iniciais num turno e os maiores em outro. Foi uma decisão que atritou o prefeito e a secretária com algumas pessoas. Ficou melhor para as crianças. O próprio colégio ficou mais agradável; na escola da Santana, tinham 40 alunos e hoje tem 150 porque tiramos um pouco da Edgar, que estava com muitos, e levamos para lá; incentivamos as oficinas e o turno integral, que é um sucesso absoluto, tanto no convívio como no rendimento escolar, e vamos aumentar 40 vagas nas creches, sem investimento, porque separamos os pequenininhos vão ficar em uma e os maiores vão para outra. 
 
OFN - Uma das suas preocupações quando assumiu era aumentar a receita com investimento na agricultura e atração de empresas. O que foi feito?
Cenci - Na agricultura, estamos passando por um momento complicado, principalmente nesta área de integração, não só na Fazenda Vilanova. Temos três ou quatro projetos que estão parados, primeiro pela questão econômica do país com a JBS e essas empresas envolvidas nos escândalos e, segundo, porque o juro dos financiamento está muito alto. Empresários que estavam com financiamentos aprovados e que poderiam ter iniciado os seus investimentos mas ficou parado. Trabalhamos muito. Entregamos quase 700 toneladas de calcário para os nosso produtores e fomos buscar mais 600 com recursos da Consulta Popular para o próximo ano. Outro problema é que não tínhamos recurso, não estávamos preparados para oferecer uma terraplenagem para o produtor.
Na indústria e comércio era a mesma situação. Trabalhamos desde janeiro para produzir riqueza para o município, renda e emprego para o cidadão. Tínhamos R$ 30 mil de orçamento, e se fosse pagar um aluguel de R$ 2,5 mil para uma empresa, terminava.
Hoje temos três empresas concretizadas e isso vai nos exigir um esforço imenso de investimento neste ano. Uma está pronta, que é o posto Pampeano, que vai nos dar em torno de 100 empregos, porque tem três empresas: a abastecedora, o escritório central e o restaurante. Em termos de tamanho de pátio, é um dos maiores do Rio Grande do Sul; os outros, as negociaçoes estão concluídas, mas vamos primeiro mostrar para os vereadores e fazer um anúncio oficial; um na área de inteligência e o outro, na área da alimentação. 
A Lactalis hoje é um problema sério porque não nos dá emprego, não nos dá renda e ainda tenho que estar conferindo se não está nos tirando valor adicionado. Estamos negociando o que poderá surtir algum efeito, mas nada concreto. Hoje é um grande problema pra nós. Eles depositam aqui e na hora de faturar fazem por Teutônia. 
 
OFN - Quantos CC’s tem atualmente?
Cenci - Dois na secretaria de Obras, um na Educação, três na Administração e o maior número, sete, na Secretaria da Saúde, para fazer os atendimentos por conhecerem mais a população. No início da administração, reduzimos para seis ou sete e hoje devemos estar com cerca de 13 CC’s.
 
OFN - Como é a relação com a Câmara de Vereadores?
Cenci - Em 2017, foi excelente, uma relação bastante madura da Câmara com o Executivo, acho que um pouco pelo meu amadurecimento. Espero, sinceramente, não para mim, que façam todo o esforço necessário para que possa melhorar a situação do município. Vamos precisar e vamos ter que votar coisas que talvez não serão popularmente interessantes. Temos que fazer algumas reformas estruturais, que se não fizermos daqui a 20 anos o município será inviável. Toda a reforma causa um certo desconforto. Hoje estamos muito carregados de direitos e que resultará em coisas impossíveis de serem mantidas. Quando fizemos uma reforma não é o que está, mas o que vai acontecer para frente. Quem está hoje no serviço público não será prejudicado. Provavelmente faremos essas reformas em 2018. 
 
OFN - A regularização das ruas paralelas à BR 386 foi um assunto muito debatido na Câmara de Vereadores no ano passado. Qual é o andamento deste tema? 
Cenci - Nós estamos trabalhando junto da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para que seja aprovada uma lei que está tramitando na Câmara dos Deputados e liberar a gestão da área não edificável para os municípios. Isto seria o ideal para nós e todos os municípios que têm este problema. Automaticamente, poderíamos regularizar as áreas construídas dentro da área não edificável. Solucionaríamos o problema das pessoas que construíram e, ao mesmo tempo, não teríamos custo de manutenção da rua, com acidentes que acontecerem e serão de responsabilidade do município, e todas as questões de uma rua municipal, o que é um peso.
 
OFN - E na questão da segurança, um dos maiores problemas do município?
Cenci - O que fizemos neste ano tenho convicção absoluta que nos últimos cinco anos não foi feito. A gente não tá parado. Fomos atrás de recursos e conseguimos emendas parlamentares e da Consulta  Popular, reformamos o prédio da Brigada Militar, só que é difícil. 
 
OFN - Como será o ano de 2018 aqui na prefeitura?
Cenci - Melhor do que 2017, mas continuamos com bastante sacrifício. Vamos ter quatro anos de sacrifícios. Tenho a convicção que daqui a quatro anos vai estar diferente. Precisamos de tempo porque nesta questão pública é assim.  
 

 

VÍDEO

No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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