Taquari, 18 de Outubro de 2018
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05/01/2018
Os adaptados conquistam

Vencem não os mais fortes, mas os mais adaptados, ensina a ciência. Se você duvida, veja o método com o qual Portugal conquistou o Brasil, ao invés da França ou da Holanda, que nos cobiçaram mas perderam – quem diria – para os portugueses.
Os bandeirantes paulistas, no seiscentos (1600 a 1700) falavam a língua-geral dos índios tupis, em suas próprias casas, ao invés do português – o fato mais impressionante e menos conhecido hoje, dessa conquista do território tupi.
A quantidade de lugares com nome indígena no país confirma isso, de Gravataí a Itapuâ, de Taquari a Pindamonhangaba. Na verdade, foi o que sobrou da cultura indígena, o nome dos lugares, que mostra que um dia – já com os conquistadores aqui – a sua língua foi falada entre nós.
Funcionava assim, os mesmos bandeirantes que escravizavam índios, para terem braços para a lavoura, os colocavam também nos trabalhos domésticos nas suas próprias casas com suas mulheres e filhos. Os paulistas então aprendiam primeiro a língua-geral do povo tupi em seus lares, para só depois irem aprender português nas escolas. Muitos brasileiros do século XVII jamais aprenderam a falar a língua lusa e há inúmeros relatos comprovando isso em “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda.
Tido como o povo mais maleável da Europa, os lusos teriam se “despersonalizado”, segundo o autor de “Raízes...”, a ponto da língua portuguesa só passar a prevalecer na Colônia a partir da metade do século XVIII – após 1750, quando, no ciclo do ouro, aumentou o fluxo de portugueses para o Brasil.
O envolvimento dos conquistadores com os índios, aos quais subjugavam, foi decisivo para sua prevalência aqui sobre outros povos europeus que “não se misturavam” com os gentios, com os naturais da terra. Os portugueses já seriam o povo mais miscigenado do Velho Continente e seu envolvimento íntimo com os indígenas e com os africanos, mesmo através da escravidão, formou vínculos emocionais e de sangue, gerando descendentes mestiços.
Nós, brasileiros, somos frutos dessa grande adaptação lusa, que passou à História como violenta e imposta, como de fato foi pela escravidão, mas que na história da vida privada teve nuances de cumplicidade entre conquistados e conquistadores – mais particularmente com os indígenas, essenciais à prevalência dos portugueses sobre os demais europeus que disputavam nosso território.
Freud veio a explicar, no século XX, a identificação com o opressor, mas no caso português foi mais que isso, foi uma conquista de um opressor que se envolveu afetivamente e se misturou com os conquistados – uma adaptação levada ao extremo.
 
Montserrat Martins
 

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