Taquari, 12 de Dezembro de 2017
NOTÍCIAS
24/11/2017
Uma história sobre gratidão para ficar nos livros

Alunos do 9º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Ana Job estiveram em Porto Alegre, no dia 10 de novembro, para acompanhar a sessão de autógrafos dos alunos que tiveram textos publicados em um livro produzido pela Secretaria Estadual de Educação (SEDUC).  A obra reuniu trabalhos da educação infantil ao ensino médio feitos pelos estudantes da rede estadual, em variados gêneros textuais, para a 25ª edição do concurso “Crianças e Jovens do Rio Grande escrevendo histórias”. Para alegria da comunidade escolar da Ana Job, a crônica da estudante do 9º ano, Jaqueline de Mesquita Viana, 15 anos, foi uma das 95 produções selecionadas, entre os mais de cinco mil inscritos. Além da sessão de autógrafos, os autores foram destacados na sede da Seduc com uma premiação.  “Escrevi sem nenhuma intenção. Poderia ter feito melhor, foi muito corrido e fui praticamemnte a última a terminar. Mas estou muito feliz, não só pelos meus colegas e a escola terem visto a minha história, mas muitas outras pessoas que agora podem ver e espero ter conseguido passar a mensagem”, destaca.
A crônica de Jaqueline intitulada “Gratidão” conta a sua história de vida. “Temos que ser gratos por tudo o que temos”. O trabalho foi feito em uma hora aula, com a orientação das professoras Joseane Viana e Letícia da Rosa Fregapani. 
Jaqueline, que é filha adotiva e reside há dois anos em Taquari, ressalta a necessidade de agradecer pelas coisas que se tem. “Sempre tive muita vontade de falar para os meus colegas o quanto eles são felizes porque eles se preocupam com coisas tão pequenas, quando na verdade não sabem o que é não ter”.
Jaqueline é natural de Porto Alegre e, no texto, conta que a mãe era viciada em drogas e o pai, presidiário. “Sempre ficávamos em casa sozinhos, eu e meus irmãos. Éramos seis. A minha mãe ia na cadeia visitar meu pai e não tinha condições de me cuidar e dos meus irmãos. Com oito anos, fui recolhida pelo Conselho Tutelar e levada para um abrigo”. Ela, na época com oito anos, e um irmão, com quatro, permaneceram por um ano no abrigo, até serem adotados. “Conhecemos um casal que se interessou por nós e fomos fazer uma adaptação. Ficamos dois anos. Mas ela (a mãe adotiva) descobriu que estava grávida e muitas coisas aconteceram. Fomos para outro abrigo”. No novo endereço, ficaram por um ano, quando conheceram outro casal. “Começamos a conviver, daí pediram a guarda provisória e agora têm a definitiva. Somos filhos deles, não tem mais volta”, conta a estudante.
Sobre a lição de vida que tenta passar no texto, diz: “Nossos pais batalham e querem o nosso bem, o nosso melhor. Só que às vezes somos ingratos e pensamos no que queremos e não pelo que nós temos. Ter uma cama parece muito. E os outros que não tem nem uma casa, um lugar pra ficar, pra comer?”
Para Jaqueline, o mais importante é a família. “Tenho muito a agradecer, muita gratidão pelos meus pais porque eles tentam sempre fazer o melhor pra mim a todo o momento. Claro, sou humana e também vou querer mais, mas tenho que primeiro pensar no que eu já tenho e agradecer. Tem coisas que são superfluas, podem fazer o bem, mas não é necessário”. 
Para a diretora da escola, Deni Bitencourt, a conquista de Jaqueline deixou a comunidade escolar orgulhosa. “É muito emocionante. A mãe dela trabalhou conosco e acompanhamos tudo na época da adoção”, diz.
 
Gratidão
 
Jaqueline de Mesquita Vianna
 
Bem... Não sei como começar, mas farei uma breve introdução.
Venho de uma família muito pobre, minha mãe biológica era viciada em drogas, tenho 5 irmãos e meu pai nem sempre esteve presente durante minha infância, pois na maior parte do tempo esteve preso por questões que eu não sei direito.
Eu e um dos meus irmãos fomos recolhidos pelo conselho tutelar porque minha mãe não tinha condições de nos cuidar e, então, fomos parar num abrigo.
Durante este um ano que ficamos lá, conhecemos um casal que ia visitar o abrigo com frequência. Começamos a passar alguns finais de semana na casa deles, até que um dia, eles pediram a nossa guarda provisória. Nossa! Como eu fiquei feliz por finalmente poder ter uma família! Mas... Isso durou por pouco tempo.
Depois de um ano e pouco, a minha mãe adotiva ficou grávida e, a partir daí, que começou a piorar. Ela inventava coisas, que muitas vezes não aconteciam, como, por exemplo, que eu não queria que ela engravidasse, que eu iria matar o bebê quando ele nascesse. E além de tudo isso, de tudo o que eu e meu irmão fazíamos ela aumentava mais um pouco. Enfim, a criança nasceu e eles nos devolveram e fomos parar em outro abrigo.
O abrigo recebia muitas visitas, tanto de pessoas que queriam adotar uma criança, quanto de pessoas que queriam doar ou fazer alguma festa para a instituição.
Conhecemos muitos casais, mas teve um em especial que me chamou atenção, não tanto por serem mais velhos, mas, sim, pela roupa que ele vestia e a maneira que os dois falavam das coisas.
Eles perguntaram se eu e meu irmão queríamos ser adotados por eles. Eu disse que sim, é claro.
Passamos alguns finais de semana juntos, até que saísse a guarda provisória. Quando, finalmente, nós conseguimos a guarda fomos morar com eles.
E hoje estou aqui, com 15 anos, e até então tem sido muito bom ter uma família. Já faz 3 anos que estamos juntos e 1 ano e poucos meses que saiu o papel da adoção.
Enfim, o que eu quero dizer é que, se alguém me olhasse hoje, diria que eu sou muito feliz, que tenho uma boa casa e que queria ter o quarto que tenho. Eu não estou dizendo que sou melhor do que você ou do que qualquer um, mas, sim, estou dizendo que, muitas vezes, somos ingratos pelo que temos, estamos sempre querendo mais e o que é dos outros, buscando a felicidade em bens materiais.
Ninguém sabe o que eu passei para ter realmente uma família. Ninguém sabe que eu já passei fome, que muitas vezes não tinha uma roupa para vestir, se não a do corpo, ninguém sabe que eu, por obediência a minha mãe, ia de casa em casa para pedir comida para comer e dinheiro para minha mãe biológica comprar drogas.
Querido leitor, estou apenas pedindo para você refletir sobre a gratidão que não está presente em nossa geração. Não fui só eu que passei por isso e, por mais incrível que pareça, ainda existem pessoas neste estado.
Seja grato pelo que você tem...
 

 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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