Taquari, 18 de Novembro de 2017
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10/11/2017
O bife de fígado da sogra

Há dois tipos de pessoas: as que gostam, e as que não gostam de bife de fígado. O Mansur não gostava, mas era o primeiro jantar na casa da futura sogra e ela lhe serviu um bife de fígado enorme, de uns 500 gramas. Isso foi na Era pré-Facebook e Whatsapp, não se dizia “não gosto” pra sogra. E era a primeira vez.
O Mansur tomou uns 2 litros de Coca-Cola junto, pra engolir inteiro cada pedaço, sem deixar a sogra ver a cara dele ao engolir. O sacrifício rendeu 6 meses de namoro com a garota, que ele lembra que era bonita e querida. Um sacrifício que valeu a pena, mas ele nunca mais jantou na sogra. Com um bife de fígado, foi feliz por 6 meses. Se fossem dois bifes, talvez o namoro tivesse durado um ano.
Ele faria o mesmo de novo. Nem é caso de se considerar um sacrifício, mas um investimento em felicidade. O bife de fígado servido de surpresa pela sogra do Mansur é uma metáfora para muitas situações da vida, em que temos de fazer escolhas e engolir situações que não gostamos, por um objetivo maior.
Lembro uma discussão filosófica num curso de pós em Psiquiatria, onde eu era professor convidado. O Coordenador do curso estava reunido com os estudantes e um sustentava que não queria fazer o trabalho. Ao saber que era obrigatório respondeu que “então eu farei, mas sem prazer”. E o coordenador emendou, “o senhor está aqui para estudar, não para sentir prazer”.
Dizem que o Google é o emprego mais prazeroso do mundo, sem horários rígidos e aberto à criatividade, onde os funcionários são pagos para produzir livremente, apostando que assim os resultados são melhores. Essa é a absoluta exceção à regra, pois trabalhar, estudar, são tarefas feitas geralmente por obrigação, não por prazer. Há quem goste do que faz ou do que cursa, o que é um privilégio. Para a maioria, essas são tarefas necessárias para atingir seus objetivos.
As novas gerações, no entanto, são criadas num viés lúdico, dos jogos de videogame a todas possibilidades interativas do computador, achando que o natural seria reunir prazer a todas as suas atividades. “Vou fazer, mas sem prazer” é um divisor de águas, o mundo se divide em dois tipos de coisas, as com e as sem prazer.
Conforto, lazer, diversão, são privilégios de conquistas de milênios de civilização que merecemos, mesmo, desfrutar. Os pais hoje são menos rígidos e se permitem aproveitar mais também. Mas nessa evolução, o risco é perdermos a noção de responsabilidade, de conquista, de sacrifício, ou mesmo de investimento, escolha.
Os jovens em algum momento têm sua prova do bife de fígado da sogra. Nâo literalmente, pois hoje se diz não para a sogra. Mas sempre haverá alguma situação desagradável a engolir – e é aí que começa o verdadeiro aprendizado.
 
Montserrat Martins
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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