Taquari, 15 de Dezembro de 2017
NOTÍCIAS
13/10/2017
Debates sobre política e educação marcaram a 2ª Feira Municipal do Livro

Além de proporcionar o acesso à leitura, a segunda edição da Feira Municipal do Livro, que ocorreu entre os dias 4 (quarta-feira) e 8 (domingo), proporcionou aos taquarienses momentos de reflexão e debate sobre alguns dos assuntos mais discutidos, política e educação. 
"Fizemos questão de trazer aqui pessoas que provocam e instigam a comunidade. E nada melhor do que fazer isso na feira do livro, onde a gente pode buscar cada vez mais conhecimento, além de ouvir as mais diversas opiniões”, afirmou o prefeito Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, durante o evento.
 
“A política não é só preto e branco”
 
Na noite de quinta-feira (5), o músico e ativista Tico Santa Cruz, criador da Banda Detonautas Roque Clube, participou de um bate-papo com a plateia. Além de conversar sobre diversos temas relacionados à política que acabam gerando polêmica, o artista ressaltou a importância de debater o assunto respeitando e ouvindo opiniões contrárias às nossas.
“As pessoas estão seriamente identificados com conceitos que cada vez mais nos afastam do sentimento de respeito, amor e afeto. Nunca presenciei um momento tão tenso onde as pessoas estão tão reativas e inflamadas no debate em relação a qualquer assunto”, disse Tico Santa Cruz. “Por isso, não vou dividir as pessoas em direita e esquerda, coxinha e mortadela, reacionário e progressista. Nesta noite, vou convidar vocês para que a gente possa fazer uma reflexão coletiva sobre o que a gente quer do nosso país, que tipo de país a gente precisa e almeja e o tipo de lugar que a gente deseja que os nossos filhos cresçam.”
Para isso, ele ressalta que a sociedade precisa pesquisar sobre as questões políticas e verificar a veracidade das notícias que leem e compartilham nas redes antes de se manifestarem. “A política é muito mais ampla do que essa maneira ordinária como as pessoas estão tratando as questões políticas no Brasil. A política não é só preto e branco.  A política tem uma série de coisas que estão sendo totalmente ignoradas quando a gente vai pra internet e forma nossas opiniões através de notícias falsas as quais a gente não tem sequer cuidado de procurar a fonte para ver se era verdade.”
Ao longo da noite, Tico Santa Cruz defendeu e reforçou a ideia de que as pessoas precisam debater o assunto de maneira aprofundada, sem discursos superficiais ou generalização. “Quando você vai pega todos os nossos problemas e superficializa eles, a gente começa a comprar discursos rasos, e achar que nós somos capazes de ter heróis, messias, que vão nos salvar de todo o mal que está acontecendo na sociedade. “E aí eu tenho uma péssima notícia: um presidente sozinho não resolve absolutamente nada. Você pode até colocar Jesus Cristo na presidência que ele não vai resolver sozinho”, disse.
 
Empoderamento dos professores foi tema de palestra
 
Na manhã do sábado passado, dia 7, professores da rede municipal e estadual de Taquari se reuniram na Feira do Livro para participarem de uma palestra ministrada pelo promotor de justiça de Taquari, Roberto Carmai Duarte Alvim Júnior, que abordou o empoderamento do professor.
O tema, para o promotor, é de extrema importância porque, embora o professor seja o pilar da sociedade, a profissão continua sendo bastante desvalorizada no Brasil. “Se tem algo que não é valorizado no Brasil é a educação. Um estudo internacional mostrou que, entre mais de 30 países, o Brasil é o país onde o professor sofre mais violência no mundo. Todo a semana, um professor é ameaçado ou agredido. ”
 
Falta de limites
 
O promotor iniciou a palestra falando que, na sua opinião, embora muitas mudanças que vieram com a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tenham sido benéficas, também se fomentou a ideia de que o menor de idade não é punido pelos seus atos, e que portanto ele não tem limites.
“Se um menor viesse aqui com uma bomba e nos matasse, ele ficaria internado no máximo três anos. Me parece que, a partir do momento que o menor consegue ter a percepção de que ele vai ficar internado no máximo três anos pela pior coisa que ele pode fazer, ele se sente livre para violar uma série de regras, seja regras legais ou regras de conduta dentro da escola ou de casa”, afirmou, ressaltando que não iria entrar na discussão da redução da maioridade penal, pois para ele é algo que não vai resolver esse problema.
 
“Os pais passaram a tratar a escola e os professores como inimigos”
 
Para o promotor, os pais, com o compromisso de dar uma vida boa para a família, passam muito tempo fora de casa trabalhando e não conseguem acompanhar a rotina dos filhos. Assim, eles acabam assumindo apenas o papel de provedores e não de pais. E que, quando os filhos são penalizados por alguma conduta em sala de aula, acabam indo contra a escola.
“Além de ter dificuldade de dar limite para os filhos, os pais passaram a tratar a escola e os professores como inimigos. Existem expedientes no Ministério Público de pais que registraram ocorrência contra professores porque a educadora falou algo para o filho ou tentou repreendê-lo na frente dos outros colegas e a criança ficou traumatizada porque tomou o limite. Aí querem mandar o professor para a cadeia. Mas o que é isso?” questionou o promotor, ressaltando que cabe aos pais a tarefa de dar limite aos jovens, e não aos professores.
Diante disso, o promotor quis deixar bem claro para os professores que o Ministério Público não vai apoiar este tipo de caso e vai apoiar os professores. “A partir de agora, quem manda na sala de aula é o professor. Aquilo que vocês pensam que é o certo a fazer vocês podem fazer e vocês vão ser protegidos pelo Ministério Público. Não se comportando na sala de aula, receberá limite. Se tem que retirar o aluno da sala de aula, ele será retirado. Fiquem tranquilos, o Ministério Público vai apoiar vocês”, afirmou.
O promotor também falou que, em casos mais graves, envolvendo ameaças ou agressões por parte dos pais ou de alunos, os professores devem procurar as autoridades. “Os professores tentam resolver os problemas na escola internamente. Não se submetam a isso. Se vocês forem ameaçados, registrem uma ocorrência policial. Vai virar um caso de polícia, que vai para o Ministério Público. A escola não tem que resolver esse tipo de problema”, disse.
Por fim, ele também disse que pretende conversar com os pais com o objetivo de conscientizá-los de que eles a escola, e principalmente os professores, não são inimigos, mas que querem ajudar os seus filhos.
 
E.M.E.I. Pequeno Aprendiz e E.M.E.F. La Salle vencem Concurso Literário
 
A Prefeitura divulgou, no domingo passado (8), o resultado do 1° Concurso Literário Municipal que aconteceu durante a 2ª Feira do Livro de Taquari. O concurso foi dividido em duas categorias, educação infantil e educação fundamental. Para conquistar os prêmios, as escolas realizaram apresentações artísticas dentro da programação da Feira, na qual foram avaliados por uma banca. Conforme a Prefeitura, a EMEI Pequeno Aprendiz e a EMEF La Salle foram as vencedoras, recebendo 5 mil reais cada uma.
 
Saldo positivo de vendas
 
A 2ª Feira Municipal do Livro fechou com saldo positivo de vendas, segundo os comerciantes. “Considerando a crise e que os professores, que são nosso mercado leitor mais importante, não estão recebendo, tivemos um número de vendas positivo”, afirmou o proprietário da Pepê Livreiros, Pedro Paulo Pedro Paulo Gracczky. Segundo ele, foram comercializados mais de dois mil exemplares durante os cinco dias de feira. A equipe da Sociedade Espírita e Beneficente Joana D’arc também constatou balanço positivo, vendendo mais de 150 obras ao longo do evento.
 
 
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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