Taquari, 21 de Outubro de 2017
NOTÍCIAS
15/09/2017
Oficina abordará questões da parentalidade e conjugalidade

“O casamento mudou? Não há mais diálogo? Os papéis do pai e da mãe na criação dos filhos não estão definidos? Como dar limite ao filhos mantendo o afeto? Como manter o diálogo colaborativo com o ex-cônjuge?” Estas são algumas questões que serão tratadas na Oficina de Parentalidade e Conjugalidade, que será realizada no dia 23 de setembro, das 9h às 16h, na Cacau Café. O evento objetiva promover uma reflexão sobre as dificuldades das famílias atualmente, nas questões que envolvem a parentalidade e a conjugalidade. 
O  psicólogo Leonardo Della Pasqua, um dos mediadores que estará na oficina, explica a diferença entre conjugalidade e parentalidade. “A conjugalidade seria compreendida como construção do vínculo entre dois indivíduos independentes, que produz um terceiro elemento: a relação entre eles. Há muito trabalho para construir a experiência conjugal, são duas histórias de vida com desejos, vivências e expectativas diferentes, enquanto que a parentalidade é o conjunto de funções e atividades realizadas pelos pais ou responsáveis, com vista ao desenvolvimento pleno e saudável da criança. A parentalidade não se encerra em situações de separação ou divórcio”, salienta o psicólogo. 
O trabalho na oficina é destinado a casais que desejam melhorar o relacionamento conjugal e familiar; pais separados na busca de uma convivência harmônica com a família; advogados que atuem na área de família; psicólogos; conselheiros tutelares; juízes; promotores; além de demais pessoas interessadas no tema. “Ajudar as famílias a começar a olhar essas novas formas de se responsabilizarem pelos filhos e de conversar com o outro. Os adultos facilitam o crescimento de seus filhos nos campos físico, psicológico e social quando exercem seu papel de modo adequado, ainda que o vínculo conjugal tenha sido rompido”. 
Conforme Leonardo, as atribuições das famílias incluem uma série de responsabilidades no sentido de assegurar a sobrevivência e evolução dos filhos, em um ambiente seguro, de modo a socializá-los e auxiliá-los a serem cada vez mais autônomos. “Considera-se uma das obrigações mais complexas e desafiadoras para os seres humanos, pois a principal tarefa de uma família é poder preparar seus descendentes para os acontecimentos e adversidades que irão enfrentar ao longo da vida”.
 
A necessidade de conversar e ouvir
 
Embora as formas de comunicação tenham evoluído, a dificuldade para conversar e para encontrar projetos em comum, assim como a imposição dos limites com os filhos são alguns dos principais conflitos que os casais enfrentam atualmente. “É necessário ter um tipo de conversa em que realmente se escute as necessidade da criança. A vida é muito corrida e as pessoas estão muito envolvidas com as questões da profissão, em que as exigências tiram a energia e disponibilidade para tratar assuntos que as famílias têm que se dedicar a ouvir, perguntar e, saber o que aconteceu. Ter um tipo de conversa que não seja só criticar a relação”.
A indisponibilidade para ouvir as crianças e brincar com elas é um dilema que se encontra muito tanto no consultório quanto nas oficinas de mediação. “Esta disponibilidade para o mundo da criança é necessária sobretudo com qualidade de tempo. Não importa se é uma hora, meia hora ou 20 minutos por dia. Que nesse tempo dedicado para os filhos, tu estejas ali presente, seja criança ou adolescente. Se vão com os filhos para brincar no parquinho, podes observar, muitos pais estão no celular, passando o tempo no Facebook, Instagram, WhatsApp, e ele tá lá brincando”. 
 
Os pais tomam as decisões 
 
Leonardo destaca a necessidade de haver uma hierarquia na família e de os pais tomarem as decisões. “Esse é um dos problemas também: famílias sem hierarquias, os pais tendo uma relação só de amigos com os filhos. Antes de tudo, tem que passar normas de valores, regras e cuidados. Não quer dizer que os pais não tenham que conversar com os filhos, mas quem tem que decidir as coisas são os pais e eles (os filhos) precisam disso. O “não” organiza o psiquismo das crianças e dos adolescentes. O não acalma, paradoxalmente. A gente acha que frustra, mas frustração é bom. Os pais têm medo de frustrar hoje em dia, porque talvez tiveram uma educação muito repressora e daí sentiram a necessidade de ter mais liberdade e partiram para o outro polo. Dar limite não significa ser carrasco, significa se importar, cuidar”. 
 
Os conflitos após a separação 
 
Outro desafio das famílias atualmente é o alinhamento que os pais precisam ter entre eles, o que fica difícil quando a separação ocorreu de forma litigiosa e com brigas, e o pai e a mãe não conseguem estar próximos um do outro. Além disso, após a separação, poderão ocorrer novos elementos nas famílias. “Cada vez mais os casamentos duram menos, e a família precisa se reorganizar. É previsível que vão ter novos companheiros e companheiras e os filhos desses novos companheiros. Temos que pensar que estes novos companheiros não são rivais. Se a gente encara eles como rivais, nosso filhos vão ficar no meio de um tiroteio que não diz respeito a eles, que muitas vezes têm que assumir o peso das responsabilidades e principalmente os adolescentes sofrem muito porque têm que crescer numa velocidade que não é saudável pra eles. Quanto mais eu encarar aquela pessoa como um aliado para a educação do  meu filho, melhor. Se tem problemas relacionados ao término da relação, é preciso ter a humildade de buscar ajuda seja ela qual for. Não dá é pra ficar no vitimismo e na culpabilização. Temos a mania de achar culpados pelas coisas e não assumir a responsabilidade que temos pelas situações”. 
 
O trabalho na oficina
 
A oficina parentalidade e conjugabilidade será desenvolvida por quatro mediadores: os psicólogos Débora de Moraes Coelho e Leonardo Delle Pasqua e as advogadas Maria Inês Alves de Campos e Maria Aparecida Silva Canabarro Cunha (de Taquari). “A ideia é lançar este projeto piloto aqui. Acreditamos que as cidades fora da Capital estão desejosas desse tipo de trabalho, em Porto Alegre tem muito. Estamos dispostos a poder oferecer isto fora da capital para colaborar no que for possível”, destaca Leonardo. “Na oficina, vamos trabalhar no sentido da conversa poder ser autêntica, de sentimentos, mas sem culpar o outro. De poder colocar o que sente e ouvir o que o outro tem para dizer”, completa. O valor da oficina é de R$ 200 por pessoa e serão tratados temas como mudanças no casamento, mudanças na sexualidade no casamento, ciúme normal e ciúme patológico, motivos que levam ao divórcio, entre outros. Mais informações pelo telefone (51) 98682-2250.
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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