Taquari, 24 de Maio de 2017
NOTÍCIAS
12/05/2017
Sem bombeiros no mês de maio

O quartel do Corpo de Bombeiros de Taquari está fechado desde o final de semana e permanecerá assim durante o mês de maio. É o que afirma o 1º Sargento do Corpo de Bombeiros de Taquari, Luiz Eduardo Silva Dutra, em entrevista a O Fato Novo.
Neste período, conforme o sargento Dutra, uma pessoa ficará no quartel para atender as ocorrências. Ela deverá então acionar a equipe do quartel em Montenegro, que será responsável por realizar o atendimento. “Se a gente sente que é uma ocorrência que tem necessidade, vamos ligar para os voluntários e vamos até o local. Mas vai ser só para auxiliar a equipe de Montenegro, porque os voluntários não têm preparo para assumir uma ocorrência. Eles são auxiliares e não têm preparo para administrar uma ocorrência sozinho.”, garantiu o sargento. 
De acordo com o sargento, a suspensão temporária das atividades se deve à falta de efetivo. “Estamos com um militar de férias e outro com licença de saúde. Aí nós não temos o número mínimo de militares determinado pelo Comando do Corpo de Bombeiros para fazer a escala normal. Então, a nossa situação é crítica”, afirmou. 
Os demais militares que compõem o efetivo de Taquari estão sendo realocados para atender em outros municípios. “Vai ser assim até que os dois militares voltem.”
Dutra também disse que a falta de efetivo prejudicou o trabalho de combate ao incêndio que destruiu uma residência na rua Manoel Elias, Bairro União, neste final de semana. “Sem o efetivo completo, tive que acionar os bombeiros de Montenegro. Aí depois chamei os bombeiros voluntários e tive que aguardar a chegada de todo mundo. Demoramos cerca de quinze minutos para fazer um deslocamento que demoraria dois minutos. Se a gente tivesse chegado no início, quando ligaram para nós, provavelmente a gente teria salvo grande parte da casa”, comentou. 
Questionado sobre a possibilidade de o quartel do Corpo de Bombeiros de Taquari fechar, o sargento respondeu o seguinte. “Fechar de vez acho que até não. Mas o fechamento temporário vai continuar sendo frequente, pela falta de efetivo e pela falta de condições de trabalho”, afirmou. 
 
Situação do Estado
 
O Fato Novo entrou em contato com o Corpo de Bombeiros de Montenegro, responsável por administrar o quartel de Taquari. O sargento comandante da região, Adriano Camargo Lopes, confirmou o fechamento temporário e afirmou que outros municípios estão passando pelo mesmo problema. 
“É uma questão toda que acontece em todo o Estado: falta de recursos, falta de horas extras e falta de efetivo. E, infelizmente, agora Taquari caiu nessa situação, porque nós não temos o aporte de hora extra e efetivo, então nós não conseguimos manter o mínimo de efetivo em Taquari”, afirmou o sargento Camargo. 
Ele reforça que, enquanto o quartel de Taquari estiver fechado, os bombeiros de Montenegro atenderão as ocorrências de Taquari. “Por enquanto, nós estamos mantendo pelo menos uma pessoa no quartel de Taquari.”, disse.
Além disso, o sargento Camargo conta que há o risco do quartel continuar fechado após o mês de maio. “Se nesse meio tempo, tivermos aporte de hora extra, a gente reativa a unidade. Só que a gente não está conseguindo nos últimos meses manter os trinta dias abertos.”
 
Problemas na estrutura
 
Além da falta de efetivo, o 1º Sargento do Corpo de Bombeiros de Taquari, Luiz Eduardo Silva Dutra, afirmou que a equipe do município também enfrenta dificuldades devido a diversos problemas na estrutura do pavilhão utilizado como quartel.
“Estamos sem luz na área dos chuveiros porque tivemos problema na rede elétrica. Temos buracos e fissuras no telhado, daí quando chove ou venta demais acaba prejudicando”, explica o sargento Dutra. 
O Fato Novo esteve no quartel nesta semana e constatou os problemas relatados pelos bombeiros. Foi possível perceber a existência de um buraco na área frontal do pavilhão, por onde entra bastante vento. Há também um buraco na parte onde os veículos ficam estacionados. 
Em relação aos problemas na rede elétrica, os bombeiros relatam que há muitas oscilações, uma vez que foram colocados muitos equipamentos eletrônicos no pavilhão. “Além de estar dando curto, com o risco de queimar, a gente acaba gastando muita energia”, afirma o sargento Dutra.
Os problemas, de acordo com o sargento, existem desde que o Corpo de Bombeiros se instalou no pavilhão. Segundo ele, as manutenções vêm sendo feitas pelos próprios que compõem o efetivo. “A gente já reformou a cozinha, colocamos repartições e arrumamos o dormitório. Inclusive, o piso do dormitório fomos nós que fizemos”, disse. 
Agora, os militares estão reformando a entrada do quartel e construindo uma sala de operações. Hoje, quem vai até o quartel do Corpo de Bombeiros de Taquari, se depara com a entrada abandonada, sendo que alguns vidros da porta estão quebrados. “Estamos trabalhando na vontade. E a equipe de militares, que é toda de fora, abraçou a causa. Ninguém é de Taquari. Eu sou de Rio Grande. Tem gente de Venâncio Aires, Estrela, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul”, afirmou.
Muitas vezes, a equipe consegue doações da comunidade e de instituições. Entretanto, quando não consegue, eles acabam tendo que utilizar recursos do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros Militar (Funrebom), que é obtido através das vistorias realizadas pelos bombeiros no município. 
Conforme o sargento, os recursos do Funrebom foram utilizados, recentemente, para a instalação de um porta na área onde fica a garagem, que até então ficava aberta. Foram gastos aproximadamente R$ 10 mil reais para que a porta fosse colocada. E, para fazer os reparos necessários na rede elétrica e no telhado, o Corpo de Bombeiros, por meio de um levantamento, calcula que deverá gastar mais R$ 20 mil.
Entretanto, os gastos na manutenção do quartel acabam comprometendo a aquisição de equipamentos para os bombeiros. “Pela relação de equipamentos necessários para a instalação de uma nova fração [quartel], nós não temos a metade. No incêndio do final de semana, eles ligaram para cá e falaram que havia vítimas. Se tivesse vítimas, nós não teríamos o equipamento para fazer o salvamento dentro da casa. Não teríamos nem equipamento caso tivéssemos vítimas fatais”, afirmou.
Além disso, os bombeiros vão precisar dos recursos do Funrebom para investir cerca de R$ 150 mil em equipamentos. Destes, R$ 85 mil serão destinados para adquirir dez conjuntos de Equipamento de Proteção Individual (EPI), enquanto o resto será para comprar equipamentos para o caminhão. 
“Estamos dependendo de um recurso que não é para isso. Não podemos tirar o dinheiro que deveria ser investido no operacional para investir em infraestrutura. Então, usar a verba num prédio que nem é nosso, como eu vou justificar para o Estado depois onde eu usei?”, comentou. 
Questionado sobre como a comunidade pode ajudar o quartel, o sargento Dutra disse que espera a contribuição do Poder Público, especialmente da Prefeitura, seja contribuindo com melhorias na infraestrutura ou cedendo mais servidores. “Não adianta só fazer o filho. A gente tem que cuidar. Tem várias formas de ajudar, mas tem que procurar a gente. Porque a gente já cansou de procurar e dar de cara com a porta”, disse.
O sargento comandante da região, Adriano Camargo Lopes, falou sobre a situação do quartel de Taquari. “É um quartel novo, então nós estamos, dentro dos recursos, comprando material necessário. Às vezes a gente tem algumas linhas de entendimento do que é prioridade e o que pode ser deixado para um segundo momento. Hoje a gente precisa de uma estrutura mínimo de trabalho, que a gente não tem, então a gente precisa dá o mínimo de suporte para o efetivo fazer o serviço e a gente vai comprando material”, afirmou. “Infelizmente isso não é só em Taquari, mas em todo o Estado. A crise pegou mesmo.”
 

VÍDEO

No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

mais vídeos

 
CLIMA
 
EDIÇÕES
Contato
(51) 3653.3795
(51) 3653.4719
(51) 9861.6358

Copyright © Jornal O Fato Novo 2013. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por