Taquari, 17 de Agosto de 2017
NOTÍCIAS
31/03/2017
Alçando novos desafios

O deficiente visual, Anderson Labres (33) iniciou, neste ano, o curso de licenciatura em Música na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), na unidade de Montenegro.
Nesta nova trajetória, com o suporte tecnológico, ele tem driblado as dificuldades.
Anderson é taquariense e voltou à sala de aula em 2012, quando passou a cursar o 3º e 4º ano na Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Municipal Professor Emílio Schenk. Desde então, superando as dificultades e contando com o apoio das professoras e direções dos educandários, concluiu o ensino fundamental e o ensino médio, sempre na modalidade EJA. “No começo foi um pouco complicado porque as professoras não eram preparadas naquela época. Tive a felicidade de encontrar aquela professora (do ensino fundamental), que era apenas uma para a turma, que escrevia no quadro para os colegas e ditava para eu copiar. Também fui mostrando algumas questões do braile pra ela”, recorda Anderson do tempo que passou na Emílio Schenk. 
Na escola Barão de Ibicuí, ele também recebeu a atenção que precisava, embora o conhecimento fosse passado por áreas, sendo 11 professores. “Com matérias totalmente diferentes, mais difíceis. Eu muito mais escutava do que escrevia. Fui me adaptando devagarinho, frequentei a sala de recurso da professora Márcia Machado, na escola”, conta. Concluído o Ensino Médio, Anderson inscreveu-se com a ajuda da professora Lisete Porto Rodrigues, no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). “Só para testar, nem achei que poderia passar. Me inscrevi só para aprender porque quanto mais aprender, melhor. Só cursei a EJA, que é mais resumido, não estudei na regular como os outros colegas”, compara. Para estudar, ele teve o auxílio da professora que, durante seis meses dedicava uma tarde por semana a ajudar Anderson, através de vídeo-aulas disponíveis no site do Enem, na Escola Barão de Ibicuí. Teve ainda reforço à noite, como de espanhol, com alguns professores. “Aproveitávamos os horários que os professores tinham esta disponibilidade para dar este apoio pra ele”, diz Lisete. O conhecimento era passado todo de forma oral. Também, as professoras procuravam fazer desenhos do que estava sendo analisado para que ele tivesse a compreensão e fizesse uma imagem mental. Se fosse figura geométrica, a professora desenhava na mão; se fosse células, em biologia, eram feitos desenhos com cola silicone em alto relevo. No dia da prova, as 180 perguntas do Enem foram respondidas através de leitor oral já que por braile seria mais demorado pra decifrar e responder. 
Anderson ficou na lista de espera na primeira chamada. Eram três vagas para cada habilitação. Ele escolheu música, onde ficou em sexto, e no teatro, em quinto. Entrou na UERGS na segunda chamada. “Agora tem que se puxar um pouco mais. Tive a felicidade de achar o professor Daltro, que tem um pouco de experiência de trabalhar com pessoas com deficiência”, diz. O docente instalou audio-livros e outros programas para que Anderson possa ampliar os estudos. 
 
Dificuldades também na etapa da Universidade
 
Anderson diz que o desafio inicial é a adapatação ao ambiente. Nos primeiros dias de aula, chegou a pensar em desistir porque o conteúdo era disponibilizado em um ambiente virtual, onde as pessoas que enxergam têm mais facilidade do que as que não enxergam. Agora, ele está recebendo o acompanhamento do professor Daltro Keenan.  “O professor que abraçou ele lá disse que já comunicou à direção da UERGS e pediu que os professores passassem o material que será trabalhado em aula para ele colocar no formato acessível para o Anderson poder ler no computador”, conta Lisete. 
Para a professora Lisete, a trajetória que Anderson tem percorrido abrirá caminho para outros deficientes visuais. “A escola vai ter que se transformar com ele lá dentro. É a presença deles dentro destes espaços que vai fazer com que a escola mude. Aqui (na Barão de Ibicuí) tivemos que fazer muitas adaptações”. 
Além disso, precisará driblar outras dificuldades, como a falta de transporte até a universidade. “Os horários de aula são diferentes e uma grande dificuldade são os horários dos ônibus até Montenegro”, destaca o aluno. 
 
O acesso através da tecnologia
 
Para Anderson acompanhar as aulas, boa parte do conteúdo poderá ser compreendida através de programas para deficientes visuais. “Pra quem tem deficiência, a tecnologia é muito importante, ainda mais para quem escreve em braile. No caso da música, são muitas partituras, os alunos enxergando no quadro vão montando. Mas pra mim é muito complicado, tem que ter uma adaptação diferente”, destaca. O estudante está contando com a colaboração do professor Daltro, que foi colega de Lisete, e está disponibilizando os materiais de leitura nos programas com áudio. “Não posso culpar os professores porque a inclusão agora que está saindo do papel e a universidade ainda tem dificuldade. Hoje, na universidade, com deficiência visual total, tem só eu”, ressalta o taquariense. 
Quando concluir o estudo, pretende dar aula particular de música e se aperfeiçoar em outros instrumentos, além do teclado que ele já toca.
A professora Lisete destaca que Anderson precisa de um notebook bom, porque o dele está ultrapassado, e os programas que precisa são pesados. Para isso, solicita a colaboração da comunidade. “Cada um fazendo um pouquinho, a gente consegue”, sugere.
A força de vontade de Anderson serviu, neste ano, como inspiração para os professores da Barão de Ibicuí. Para Anderson, o resultado é fruto do envolvimento de todos. “Quando a escola quer e os professores estão engajados, tu tens uma maneira de trabalhar. É como a gente trabalhava aqui na escola e lá no Emílio Schenk. Cheguei até aqui graças às professoras, todas me ajudaram. Se a pessoa tem vontade, consegue chegar ao objetivo”, destaca Anderson.  
 

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No dia 16 de maio, um bugio que estava no Bairro Praia teve um choque ao deitar-se sobre os fios de energia elétrica. Ele caiu dos cabos da rede e foi socorrido por pessoas que estavam nas proximidades, entre elas, o agricultor Seloí Lang, conhecido por Nego do Rincão, que fez massagem e assoprou sua boca.

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